É possível fazer cursos totalmente a distância?
Apesar do crescimento expressivo da EAD (Educação a Distância) recentemente – mensurável, entre outros fatores, pelo aumento na oferta de vagas de cursos a distância nas instituições –, oferecer cursos no formato 100% não-presencial ainda divide especialistas. Quem defende a modalidade como saída para driblar a exclusão no Ensino Superior aposta na viabilidade do modelo apenas em longo prazo. Os mais radicais, no entanto, não a consideram viável nem assim. Continuam a defender 20% de aulas presenciais para manter o contato do aluno com o professor e sua integração social.
A principal questão prática apontada por especialistas para que a proposta de cursos 100% não-presenciais continue a gerar tanta polêmica se deve ao fato de que a inclusão digital no Brasil ainda não é uma realidade. Isso significa que não são todos os estudantes com a preparação tecnológica exigida por esse tipo de curso. Muitos dependem dos pólos de apoio para estudar. Em alguns casos, esses pólos são muitos distantes das casas dos alunos. Sendo assim, o deslocamento, por si só, já seria um fator de exclusão.
A diretora de EAD da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), Maria Beatriz Gonçalves, defende que não é possível haver aulas sem nenhum encontro presencial. "Algumas atividades devem ser realizadas presencialmente, como provas – para evitar fraudes – e práticas de laboratório. Fora tais atividades, todo o conteúdo restante pode ser passado de forma virtual, mas falar em ensino totalmente a distância ainda não é possível no país, já que os pólos de EAD são necessários para promover a inclusão de alunos carentes", afirma ela.
O presidente do Conselho Científico da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), Waldomiro Loyolla, acredita que outro fator de impedimento para a realização de cursos 100% a distância são os recursos financeiros necessários para dispor dos aparatos tecnológicos fundamentais para se estudar em casa. "A EAD totalmente on-line exige uma um aparato tecnológico dos alunos. Trata-se de um custo alto com o qual muitos não têm como arcar. Por isso foram criados os pólos de apoio", explica ela.
Data: 7/10/2008 12:00:00 AM
Fonte: Universia